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Ser feliz: Você está escolhendo estímulo… ou está escolhendo felicidade?

  • Foto do escritor: Ester Meneses
    Ester Meneses
  • 16 de jun.
  • 3 min de leitura

Você se considera feliz? Talvez você responda:

“Mas o que é felicidade? Isso é muito relativo.”


Sim, é relativo.O que me faz feliz pode não ser o que faz você feliz.


Mas, do ponto de vista da Psicologia e da Neurociência, felicidade não é apenas uma emoção momentânea.


Na Psicologia Positiva, felicidade é frequentemente associada ao conceito de bem-estar subjetivo, que envolve três dimensões principais:


  • Emoções positivas frequentes

  • Baixa frequência de emoções negativas

  • Satisfação com a própria vida


Já na Neurociência, a felicidade não é um “hormônio”, nem um único estado químico. Ela é resultado da interação entre diferentes sistemas cerebrais, envolvendo neurotransmissores como:


  • Dopamina (motivação e recompensa)

  • Serotonina (regulação do humor e estabilidade emocional)

  • Oxitocina (vínculo e conexão)

  • Endorfinas (sensação de bem-estar e alívio da dor)


Ou seja: felicidade não é apenas prazer.Felicidade é construção.


A geração sedenta por dopamina


Nos atendimentos clínicos e nas palestras, temos observado algo preocupante:

Pessoas exaustas emocionalmente, mas sedentas por algo que as preencha.


Tristes.

Irritadas.

Ansiosas.


E tentando anestesiar esses estados com doses constantes de prazer rápido.


A dopamina — neurotransmissor ligado ao sistema de recompensa é ativada quando antecipamos algo prazeroso. O problema é que o cérebro se adapta rapidamente. Quanto mais estímulo, maior a necessidade de novos estímulos.


E assim começa o ciclo:

Comida excessiva.

Álcool.

Drogas.

Baladas.

Agenda sempre cheia.

Consumo compulsivo de vídeos.

Redes sociais.

Scroll infinito.


O celular se tornou um dos maiores fornecedores de dopamina da atualidade.


Cada notificação.

Cada curtida.

Cada vídeo curto.


Micro recompensas constantes.


E junto com isso, a exposição contínua a vidas aparentemente perfeitas. Pessoas sempre felizes. Sempre viajando. Sempre produtivas. Sempre aproveitando.


E então surge a comparação:

“Por que a minha vida não é assim?”

“Por que eu não me sinto desse jeito?”


Ansiedade.

Angústia.

Frustração.


E qual é a resposta automática do cérebro?

Mais dopamina.

Mais distração.

Mais estímulo.

Mais fuga.


A distorção da felicidade


Tenho refletido muito sobre a distorção da felicidade na sociedade atual.


Quando foi que um dia simples deixou de ter valor?


Descansar.

Apreciar a natureza.

Fazer uma receita em casa.

Ligar para alguém querido.

Conversar sem precisar registrar.

Ouvir uma música que toca a alma.

Escutar a risada sincera de uma criança.

Sentir o vento no rosto durante uma caminhada.


Isso não tem mais “cara” de felicidade?


Ou fomos condicionados a acreditar que felicidade precisa ser intensa, performática e publicável?


Onde foi que nos perdemos?


A felicidade que esquecemos


Se no início falamos que felicidade é relativa, eu quero te convidar a um exercício profundo:


O que te fazia feliz antes?


Quando você era criança.

Quando era adolescente.

Alguns anos atrás.


Antes de tanta poluição digital.

Antes de tantas comparações.

Antes de tantas expectativas irreais.


O que te fazia feliz?


E mais: O que está faltando hoje na sua rotina que poderia aumentar sua sensação de bem-estar, mas você deixou de valorizar?


Muitas vezes não é ausência de felicidade.

É ausência de presença.


Você está focando apenas no que falta.

No que você ainda não é.

No que você ainda não conquistou.


E esquece de reconhecer o que já existe.


Felicidade não é ausência de problemas


Felicidade não significa ausência de desafios.


A vida continuará trazendo perdas, frustrações e dificuldades.


Mas mesmo nos problemas existe espaço para reflexão:


Essa situação está me afastando daquilo que é importante para mim?

Como eu gostaria que fosse diferente?

O que está ao meu alcance mudar?

Quais decisões preciso tomar?


Porque aqui está um ponto essencial:

Felicidade também envolve responsabilidade.

Envolve escolhas.


Não podemos controlar tudo o que acontece conosco.

Mas podemos escolher como respondemos.


Na Psicologia, falamos que felicidade está muito mais relacionada a viver com coerência entre valores, escolhas e ações do que a viver em constante prazer.


Felicidade é alinhamento.

É sentido.

É propósito.

É conexão.


É a capacidade de experimentar alegria nas pequenas coisas e, ao mesmo tempo, suportar os desafios com maturidade emocional.


Uma última reflexão

Talvez a pergunta não seja apenas:

“Você é feliz?”


Mas:

Você está construindo uma vida coerente com aquilo que realmente importa para você?


Porque felicidade não é um pico de dopamina.

É um estado de equilíbrio entre prazer, significado e conexão.


E, no fim, talvez possamos definir assim:

Felicidade não é aquilo que te excita por alguns segundos.É aquilo que sustenta sua alma ao longo do tempo.


E assim finalizo te perguntando:

Você está escolhendo estímulo… ou está escolhendo felicidade?




 
 
 

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